terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sereno


Hoje a lua brilha tanto que parece dia,
E eu queria chamar atenção de toda a cidade,
Pois sei que mais pessoas tristes teriam um sorriso involuntário como eu tive.
Você vai pensar que eu sou rude
Mas eu apenas ficaria de pé e observaria.

Quem foi mesmo que disse que contar as estrelas dá verrugas?...Na realidade algumas pessoas dizem que o problema está em apontar para as estrelas, outros dizem que é por contá-las.
Que seja!
Se for assim, então chamem um médico, pois esta noite eu dedicarei os meus olhos as estrelas e me banharei com o luar mais radiante que os olhos de qualquer um dos meus amores.
Tudo começou quando eu pensei ter terminado mais um dia, voltando pra casa percebi que não precisava de luzes pelo caminho, não precisava de pessoas para me acompanhar, não precisava de nada a não ser aquele momento.
Senti aquele luar tão forte e calmo me iluminando, meus olhos brilhavam como fogos de artifício e meu coração parecia livre para pulsar, pular e respirar feliz.
O que mais eu poderia querer além de sentir a noite...
Entreguei-me, sorri!
Uma paz sem explicação me invadiu.
Problemas, cálculos, sofrimento, geometria, 10% de desconto...Onde estão as chaves de casa?
Nada me importava, talvez eu ficasse feliz se não precisasse entrar em casa ou se quer pensar.
Parecia que eu estava dormente da cabeça aos pés, eu sabia que existia a um peso enorme sobre mim, mas não sentia nada além do sereno. Eu levaria esse momento pela eternidade, passaria noites conversando com o luar, as estrelas e esperaria feliz até que eu esbarre por ai com meu doce mel de abelha.
Eu cantaria todas as noites, com meu violão imitaria o som do vento, roubaria dez mil vagalumes dos meus sonhos para enfeitar a noite. É difícil acreditar que o mundo gira devagar, mas eu diminuiria mais o ritmo, porque tudo parece irreal quando me perco no momento
Eu poderia fazer isso a noite toda.
Claro que eu poderia falar sobre os meus amores para o luar, mas tudo que peço é que traga logo meu verdadeiro amor, pois eu estou cansada de viver sozinha criando canções de amor para ninguém. E eu fico procurando todos os dias te encontrar, não tenho certeza de quem procuro, mas vou saber quando ver.
A noite está ficando mais fria e algo me lembra que preciso dormir, mal sei que horas são e já sinto que está tarde, poderia ficar aqui a noite toda e ver o sol nascer agradecendo pelo brilho que ele proporciona ao luar. Peço a Deus que me dê muitas noites como essa, porque não existe nada melhor do que ser uma pessoa cansada e feliz sem motivos, fazendo uma coisa tão boba e se sentindo incrível por viajar entre as estrelas com a luz do luar.
Não sei como vão ser os dias daqui pra frente, mas a partir de hoje eu sei que quando me lembro do luar não me sinto mais sozinha. Deixa a dor passar, a ferida arder, sinta apenas o sereno sobre o seu rosto e pense que amanhã pode não ser melhor, mas será diferente, assim como todas as noites são diferentes e deslumbrantes a cada dia e a maioria das pessoas estão ‘ocupadas’ demais para parar por um instante e olhar pra cima. Mal sabem elas que a solução, a resposta, a cura, o alívio...muitas vezes está apenas em sentir a noite.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entre a confusão das minhas canções




“Passo horas falando pra ficar muda de repente,
Passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos bobos.”

Sabe quando o céu está azul demais e não combina com sua expressão triste e confusa;
Ou quando o pôr-do-sol está tão belo e profundo que você não consegue evitar aquele sorrisinho de beira de boca, sem motivo...
Pois é, difícil explicar como consigo achar coisas belas no meio da minha confusão.
Eu nunca fui muito organizada em relação a coisas pessoais, meu quarto nunca permanece arrumado, minhas roupas sempre ficam bagunçadas quando estou com pressa e eu sou tão relaxada comigo mesma quando fico o dia inteiro em casa. Eu tomo banho, mas nunca tiro a roupa de dormir; Eu vou para as nuvens, mas nunca saio da frente do meu notebook.
Quantas e quantas vezes alguém já me disse:
- Por ai não, você vai se machucar!
Mas eu sempre achava tudo inferior ao meu jeito de ver as coisas, ninguém era alto o bastante pra saber. E por eu estar sempre “alto” demais, minhas quedas eram grandes e realmente machucava muito.
Eu nunca aprendi.
Eu nunca cobrei a confiança das pessoas em mim, até por que... Nem eu confio muito em mim, mas sou confiável, “gente boa” como diz por ai. Os estragos que eu faço afetam tão e somente a mim mesma. Ultimamente eu não consigo confiar em mim nem pra olhar no espelho, estou sendo sincera demais comigo mesma e não sei de nenhuma solução para resolver meus problemas.
Eu não tenho medo de chorar, posso apenas deixar as lágrimas caírem por horas e sentir a dor rasgar mais um pouquinho o peito, mas ultimamente eu aprendi que sofrer está meio fora de moda, então eu invento um motivo bem idiota pra rir e depois disso apenas vejo o dia passar como se estivesse entorpecida, anestesiada, dopada....que seja!
A verdade é que eu não tenho muita paciência comigo mesma, eu me cobro demais e nada sai certo ou perfeito, eu choro muito e depois de um tempo me sinto uma idiota chorona, se eu estou sorrindo demais me sinto uma boba, eu brigo comigo por ações feitas, chego a ser falsa comigo dizendo que está tudo bem e que amanhã algo pode salvar o dia.
No final das contas eu sou confusa e não sei bem o que ou quem sou, só sei que vivo...Sempre tentando ser melhor , perco horas criando um personagem tão incrível e chamativo em minha mente, que às vezes preciso de um beliscão pra voltar a realidade e ver no espelho que eu não sou quem imagino e quero ser. Mas minhas imaginações são tão perfeitas como folhas de revista em quadrinhos que na maioria das vezes prefiro ficar nelas que viver a realidade e me decepcionar sempre ao final de um novo dia.
Eu sou uma máquina perfeita por fora, cheia de curtos circuitos por dentro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Best Of You


“Em tempos assim, você aprende a viver de novo.
Em tempos assim, você dá e dá de novo.
Em tempos assim, você aprende a amar de novo.
Tempos assim vivem se repetindo...”

(Foo Fighters – Times Like These)


Eu pensei em escrever algo de minha autoria, mas vi que não era necessário.
Nada como uma boa música antiga que boa parte de vocês devem conhecer pra dizer tudo e mais um pouco. Lê curtindo o som:



Eu tenho outra confissão a fazer
Eu sou o seu tolo
Todos têm correntes para quebrar,
Segurando você
Você nasceu para resistir
Ou ser abusado?

Alguém está tirando o melhor, o melhor, o melhor, o melhor de você?

Ou você se foi e está com outra pessoa?
Eu precisava de um lugar para me enforcar
Sem o seu laço
Você me deu algo que eu não tinha
Mas que não teve uso
Eu estava fraco demais para desistir
E forte demais para perder
O meu coração está preso de novo
Mas eu me libertarei
Minha mente me oferece vida ou morte
Mas eu não consigo escolher
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso

Alguém tirou a sua fé?
É real a dor que você sente
Você confia?
Você deve confessar
Alguém está tirando o melhor de você?

A vida, o amor, você morre para se curar
A esperança que dispara os corações partidos
Você confia?
Você deve confessar
Alguém está tirando o melhor de você?

Eu tenho outra confissão, meu amigo
Eu não sou um tolo
Estou ficando cansado de recomeçar
Em um lugar novo
Você nasceu para resistir ou para sofrer abusos?
Eu juro que nunca vou desistir

Alguém está tirando o melhor de você?”

(Foo Figthers – Best Of You)

Entre o Céu e o Mar



“Um dia nublado é mais comum do que você pensa."
(Vanessa Carlton)


Desculpe começar com a minha sinceridade, mas é involuntária a necessidade de dizer que eu sou forte por fora, não completamente. Ainda existe uma menininha que se perde sempre que volta pra casa, uma covarde que se esconde pra chorar quando o nó na garganta começa a se desfazer e subir para seus olhos, já que a boca insiste em permanecer fechada, existe uma garota comum com as mesmas manias de sempre, uma vontade incontrolável de parar o tempo quando diz “Mas já amanheceu!?... deixa passar mais dez minutinhos.”
Não sou um desastre natural tão grande quanto parece. Eu fico acordada até tarde e não sou amiga da balança, por vezes mergulho na preguiça e sempre deixo algumas coisas passarem, a maioria dessas coisas nunca voltam e eu vejo o quanto preciso delas, então novamente estou eu correndo igual uma louca tentando controlar o incêndio com um copo d’água. Eu nunca me acho bonita o suficiente, a maquiagem nunca consegue esconder as expressões dos meus sentimentos, a roupa nunca estará exatamente perfeita, desde que não seja All Star o sapato nunca será completamente confortável, eu sempre vejo horas e minutos iguais ou inversos, mas não me apego aos seus significados. Eu sou praticamente uma metamorfose ambulante tão estranha com minhas manias e tão igual quanto às manias alheias.
Um dia desses sentada na areia, olhando o fim de tarde de um dia imperfeito qualquer me lembrei de inúmeros poemas, crônicas e histórias sobre “Céu & Mar”, a partir desse instante com uma estranha curiosidade comecei a enumerar coisas, motivos, vontades e existências entre o céu e o mar. Não queria ser só mais uma escrita sobre “Céu & Mar”, mas eu precisava escrever sobre isso.
Descobri que entre o céu e o mar existem desejos e esperanças, nem sempre alcançados, mas eternamente motivados por uma fé que faz fechar os olhos e ver anjos em meio a uma guerra.
Existem homens e mulheres tecelãs, tecendo seus sonhos com fios de lágrimas.
Existe uma grande questão que nunca se responde: Por que quando estamos sozinhos sofremos por não ter a quem amar e quando amamos o amor machuca e dói demais.
Entre o céu e o mar existe tudo aquilo que você quer perto o suficiente pra você provar, mas você não pode tocar.
Existem palavras, muitas perdidas ou jogadas fora.
Existem pessoas que acreditam e desconfiam e tem milhares de coisas guardadas dizendo: Se ao menos eles soubessem!
Existe a felicidade, a dor, a nostalgia, os culpados por noites em claro, os inocentes por ilusões devastadoras, o sorriso que esconde a lágrima.
Os seus olhos, os seus braços, onde você nunca imagina que possa ser o desejo de alguém.
Existe uma garotinha que acordava no meio da noite chorando pelos mesmos malditos motivos, que chorou durante anos sozinha. Hoje ela está curada, mas suas cicatrizes sempre irão lembrá-la de tudo e ela prometeu jogar sempre do lado mais seguro pra não se machucar outra vez.
Eu ainda sinto o vento frio que vem entre o céu e o mar, ele é pesado e leve ao mesmo tempo, traz consigo tantas histórias, tantas faces.
Ele sussurrou pra mim que sabe de tudo e que apesar de não ler mentes está em todas as situações e consegue ler faces, um olhar nunca esconde nada.
Esse mesmo vento me sussurrou algo que eu precisava muito saber.
Dizendo assim:
- Sabe toda essa saudade?
Encare como eu, o vento, você não pode ver, mas pode sentir e dependendo do tempo pode trazer tanto a paz e o conforto quando a dor e a angústia.