sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Introspecção

Quando me dirijo ao mundo interior, não é para escapar do barulho incessante das ações, das exigências e confusões dos outros. Não é para alienar-me dos acontecimentos e das pessoas. É para fertilizar o solo interno, onde todas as minhas virtudes e poderes podem brotar, crescer e desabrochar. Quando estou bem alimentado por dentro, não me torno um mendigo do amor ou de respeito, porque sei ser meu próprio amigo e amigo dos outros.
(Ken O'Donnell, Lições para uma Vida Plena, 1993)

Antes mesmo de abrir os olhos eu percebo a claridade e o som da garoa, meus pés quentes se entrelaçam e posso sentir o quanto estou confortável. Por alguns minutos antes de levantar olho para a janela e penso, me perco em nostalgia ou permito-me ser transladada para dentro dos meus confusos pensamentos, e são tão confusos, então eu me encontro lá do mesmo jeito quieto de sempre com tanta coisa pra dizer e olhos tão medrosos que se torna melhor calar.
Talvez eu já saiba exatamente o preço do silêncio, pois pago aluguel dele. Eu sei que palavras são preciosas, mas riqueza em excesso desgasta e perde o sentido, por isso faço caridade com algumas de minhas palavras e quero dá-las a qualquer ouvido que goste de histórias.
Também quero contar minhas vontades que parecem infinitas, porém tão simples, um exemplo disso está na chuva. Passo tanto tempo olhando a chuva cair e tenho tanta vontade de me jogar, deixar a chuva me abraçar e quando o vento passar entre os meus dedos eu possa sentir o frio da solidão e isso não seria triste, pois às vezes a solidão é necessária e limpa um pouco da minha confusão mental.
De alguma forma eu sou apenas uma pessoa incomum tentando descobrir uma maneira de atuar dentro desse espaço confuso, estou segura apenas por esses dias felizes onde deixo tudo isso de lado e abro um sorriso tímido ou às vezes quando a tristeza resolve jogar tudo na minha cara eu apenas começo a rir sem motivo e quando me dou conta estou afortunadamente feliz rindo sozinha e por motivo nenhum, talvez seja da minha cara boba.
Acho que consegui achar um escape para os momentos tristes, já parou e se olhou no espelho quando está no auge da tristeza ou da ira? Não sei vocês, mas eu olho fixamente pra o meu rosto e em um minuto começo a rir da minha expressão de novela mexicana.
Dentro de tudo talvez eu seja um pedaço de insegurança, uma faísca de esperança, um pouco inconfidente e um punhado de reclamações, mas eu apenas estou louca como o resto de nós e depois de tudo eu assisto essas pessoas que chegam e seguem.
Talvez seja disso que eu tenha medo, do que não perdura.