domingo, 30 de setembro de 2012

Saudade


Ausência física, ausência da voz e do cheiro, das risadas e do piscar de olhos, saudade da amizade que ficará na lembrança e em algumas fotos. 

Saudade dos tempos de amizades loucas, sabe!?
Aquelas em que você vive na casa da(s) sua(s) amiga(s), chama a mãe dela(s) de tia, vive dormindo lá e vice-versa, preparam vários programas juntas como: Ir ao cinema (de lei), ir à praia, fazer trilha, caçar festinhas pra entrar de penetra, organizar festas do pijama, fazer tarde de cine na casa de alguém, ficar a noite toda na rua perambulando igual um zumbi e rir até doer a barriga, falar sobre tudo e nada, olhar uma pra cara da outra e morrer de rir sem motivo nenhum...
Eu serei eternamente grata as pessoas responsáveis por me mostrarem esses dias tão felizes na minha vida e eu sei que hoje a vida mudou, agora tudo é mais sério, existem responsabilidades que levam dias e horas da gente, sei que o tempo que eu tinha pra realizar tudo acima não existe mais. Só que se pararmos pra pensar...a vida é feita de detalhes, nós somos feitos de detalhes, ninguém apareceu na barriga pronto, assim já formado, cada parte de nós foi formada devagar e aos detalhes.
São dos detalhes que eu quero viver tudo que desejo viver e não me venha com essa história de idade, você provavelmente conhece isso:
"Mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo" ... "Somos tão jovens, tão jovens" ♪
Eu sinto falta de amigos, mas não só aqueles que dizem "pode contar comigo" e sim daqueles que são loucos e fazem de tudo pra vida que se fala na tv pareça outro mundo...Eu sinto falta de ATITUDES!


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Garota


"Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar."
Caio Fernando Abreu.


Era só uma simples garota que observava o mundo, não perdia nenhum grão de areia que passasse pela praia, nenhuma indireta que fosse visivelmente direta, ela se permitia sentir todos os sentimentos em silêncio e apenas fechava os olhos quando se tornavam muito intensos. Nunca entendia o motivo pelo qual tem sido tão rejeitada e se perguntava por que ainda se importava tanto com o que as pessoas pensavam.
Toda manhã plantava carinho e toda tarde colhia apatia, uma leve introspecção pela noite fazia com que ela perdesse a cabeça, não soubesse mais a ordem das coisas, então cansava de tentar se entender e dormia. E adorava os seus sonhos, era a melhor moradia em que sua mente repousava, era tudo que ela amava e tudo que se tornava possível, eram vaga-lumes e conversas sobre tudo e nada.
Acho que era disso que ela gostava, do que não fazia sentido e também disso que tinha medo, do que não ficava pra sempre, do inseguro e da hora de abrir os olhos.
O tempo foi passando então ela desistiu de sempre querer agradar, sempre estar a disposição, de não encarar, não questionar...
Ela sentia um sufoco suave subindo por seus ombros e via a indiferença nos olhares. Ah...como isso a corroía por dentro, mas simplesmente respirava fundo e seguia.
Como era covarde.
E nunca aprendia.
Nunca rebatia, somente apanhava.
Tinha tudo gravado na mente, sabia todas as respostas, tinha o discurso perfeito e pensava em como a sociedade a deixava irada com seus padrões e poses, volta e meia dizia que era sim a garota do subúrbio, sem peito, nem bunda, não tinha a beleza do melhor rosto, nem o melhor cabelo, da perfeição passava longe. Mas para ela já bastava ser básica, andar, falar e ter consciência. E logo ela, a garota que observava o mundo.