quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Garota


"Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar."
Caio Fernando Abreu.


Era só uma simples garota que observava o mundo, não perdia nenhum grão de areia que passasse pela praia, nenhuma indireta que fosse visivelmente direta, ela se permitia sentir todos os sentimentos em silêncio e apenas fechava os olhos quando se tornavam muito intensos. Nunca entendia o motivo pelo qual tem sido tão rejeitada e se perguntava por que ainda se importava tanto com o que as pessoas pensavam.
Toda manhã plantava carinho e toda tarde colhia apatia, uma leve introspecção pela noite fazia com que ela perdesse a cabeça, não soubesse mais a ordem das coisas, então cansava de tentar se entender e dormia. E adorava os seus sonhos, era a melhor moradia em que sua mente repousava, era tudo que ela amava e tudo que se tornava possível, eram vaga-lumes e conversas sobre tudo e nada.
Acho que era disso que ela gostava, do que não fazia sentido e também disso que tinha medo, do que não ficava pra sempre, do inseguro e da hora de abrir os olhos.
O tempo foi passando então ela desistiu de sempre querer agradar, sempre estar a disposição, de não encarar, não questionar...
Ela sentia um sufoco suave subindo por seus ombros e via a indiferença nos olhares. Ah...como isso a corroía por dentro, mas simplesmente respirava fundo e seguia.
Como era covarde.
E nunca aprendia.
Nunca rebatia, somente apanhava.
Tinha tudo gravado na mente, sabia todas as respostas, tinha o discurso perfeito e pensava em como a sociedade a deixava irada com seus padrões e poses, volta e meia dizia que era sim a garota do subúrbio, sem peito, nem bunda, não tinha a beleza do melhor rosto, nem o melhor cabelo, da perfeição passava longe. Mas para ela já bastava ser básica, andar, falar e ter consciência. E logo ela, a garota que observava o mundo.

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