terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tomorrow is enough


 “Tudo o que você quiser
Tempo de recomeçar
Solidão eu já vivi
Na cidade que não volta.
Todo o meu amor até
Impossível de se dar
Tarde de se andar a pé
Na cidade que não volta
...Tudo o que você quiser
Tempo de recomeçar
Coração no seu lugar
Na cidade que não volta
(Marcelo Camelo)
Essa é uma carta de despedida, as últimas palavras de uma pessoa muito difícil de lidar consigo mesma e que se embola nas respostas que procurava para sanar seus vícios e tormentos.
Amanhã, quando o sol olhar pela primeira vez ao se levantar verá outra pessoa, algo novo e determinado que não tem mais tanto medo do que irá passar e de como terá que viver pra conseguir ser como planeja. Essa nova pessoa não irá mais pensar na dor que é ter seus sonhos e desejos passando pelo mar do esquecimento, não irá mais sofrer com o tormento que é não conseguir dormir a noite, não irá mais chorar escondida em seu quarto.
Ultrapassando todos os seus limites e obstáculos que lhe puseram, essa pessoa passará a fazer aquilo que é necessário e largar tudo que aparentemente é muito bom pra deixar de lado. Tanto tempo defendendo a tese de ignorar tudo que é certo pelo simples fato de não querer sofrer e viver infeliz sem ter e fazer o que gosta, mas na verdade ela estava errada porque tudo o que ela fazia e gostava demais pra deixar de lado era seu próprio veneno e aos poucos ela estava morrendo achando que estava feliz, mas não estava nem perto disso. A felicidade era o oposto e demorou muito pra ela perceber isso, todos esses anos e tudo que ela deixou de viver por uma falsa vida a custou muito caro e deixou algumas consequências bem ruins, mas ela não se importa porque, pra ela, nunca é tarde o suficiente até que Deus diga.
Amanhã não será mais um dia em que ela irá acordar e ver que tudo o que idealizou na noite anterior não passaram de palavras, pois ela escreveu tudo pra não esquecer e deixar com que a distração plantada em seu coração floresça, ela irá levantar, tomar toda coragem que a foi tomada e jamais voltará atrás. Eu prometo!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A Carta


"De repente, estou só. Dentro do parque, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do estado, dentro do país, dentro do continente, dentro do hemisfério, do planeta, do sistema solar, da galáxia — dentro do universo, eu estou só. De repente. Com a mesma intensidade estou em mim. Dentro de mim e ao mesmo tempo de outras coisas, numa sequência infinita que poderia me fazer sentir grão de areia. Mas estar dentro de mim é muito vasto."
Caio Fernando Abreu


Vi sua carta sobre a mesa e afortunadamente feliz corri para ver o que você tinha a dizer, concentrava minha euforia na esperança de ler palavras de paz, conforto, saudade, felicidade. E como eu sonhei com essa carta, a tal que me tiraria de um rio de lágrimas e mostraria que ainda existe infinitos sorrisos involuntários, aqueles de canto de boca que você nem sente sair.
Então peguei a carta na mão, respirei fundo, segurei a tremedeira e abri.
Olhei o conjunto de palavras, o risco da tinta no papel, criei coragem e li a primeira frase...
Existe um frenesi quando estou com você.”
Mãos imóveis, aquela tremedeira na perna de tanto nervoso para, por alguns segundos perco totalmente a audição, começo a mergulhar em cada palavra, deixo aflorar cada sentimento e meus olhos seguem nadando pelas linhas...
Palavras doces.
Atitudes.
Pessoas.
Sorrisos.
Pedidos.
E...Como? Acho que não entendi essa parte, volta!
E depois de ler algumas mil vezes eu percebi que todo aquele desejo, carinho, saudade...não passava de uma segunda opção, a escapatória da rotina, mudança de habito talvez.
Novamente eu voltei ao velho ponto da introspecção e vi quantas vezes eu fui a segunda opção de alguém.
Ok, melhor abrir os olhos. Já prometi milhões de vezes não olhar fixamente o passado. Ele hipnotiza.
Eu estava precisando de alguém sim, mas nada de longos romances, beijos suaves e amor de verão. Eu necessitava apenas de alguém, sem segundas e quartas intenções, alguém que não teria o menor problema de passar um tempo me decifrando enquanto eu estivesse olhando as estrelas, alguém pra rir sem motivo, andar por ai sem rumo, um amigo, uma companhia.


A história da carta tão esperada se resumiu em decepção, não se tornou nada além de apatia e tristeza. E quanta tristeza por perder alguém que se quis tão perto, tão certo.

sábado, 20 de julho de 2013

Caixa do nada


Talvez vocês tenham sido mais rápidos que eu
Nós desistimos uns dos outros tão facilmente
Essas feridas bobas nunca vão melhorar
Sinto que estou tão longe de onde eu estava
Então eu vou, e não voltarei mais aqui
Vou embora enquanto o dia desbota nas casas brancas
Eu minto, coloco meus machucados na poeira...
(Vanessa Carlton – White Houses)

Antigamente era mais fácil olhar pra essa folha em branco e o teclado do notebook, parecia que as palavras escorregavam entre os dedos, como se já estivessem esperando em uma fila oculta da minha alma em uma corrente contínua pra fora. Era tudo mais claro, eu não tinha medo do impacto das palavras, nem dos seus significados, muito menos da mensagem transpassada no final de tudo.
Por várias e várias vezes eu me pego pensando em textos e mais textos quando estou sozinha ou ouvindo alguma música, em qualquer momento parece que as frases aparecem diante dos meus olhos, posso até arriscar dizer que sonho com elas, mas estão presas, nada é como antes. Não sei se a dor é mais intensa, se o medo é mais sombrio, se me tornei covarde, só sei que realmente eu sinto que mudei. Estou menos sonolenta, me canso muito rápido, não sinto mais vontade de chorar mesmo debulhando em dor, estou com uns estranhos novos amigos, fico acordada até tarde, estou muito magra, parece que fiquei vazia e muda apenas observando tudo que acontece.
Sem reações.
Sem expectativas.
Sem palpites.
Não sei qual foi a parte do caminho que parei de andar, agora estou sentada no chão apenas observando as pessoas, os carros, o lugar, a vida. Tudo o que me pergunto é onde isso tudo vai dar. Depois de tanta instrospecção quero confessar algumas coisas...
Passei a fazer coisas que jamais admitiria, menti, escondi, tive segredos que só eu sei, admiti a infelicidade sem motivo, não reconheço mais quem está do meu lado, pisei no meu adorado orgulho e, por vezes, me mostrei uma vergonha... Enfim são tantas coisas, tantos anos.
Foi tanta desordem que penso ter entrado na “caixa do nada” e agora estou escondida lá fazendo nada. Apesar disso sinto os murros que a minha alma dá às vezes dentro de mim, como se faltasse só um pedacinho pra que eu pule de dentro da caixa e retome o caminho que parei, limpe a poeira do tempo da roupa e continue andando e direção a um único objetivo... a paz da felicidade.
Esse texto ainda não diz tudo que pensei, mas ressalta uma palavra importante.
Mudanças.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Frustração


Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração.
Marta Medeiros

Frustração é quando você olha no espelho e não reconhece quem está vendo;
É quando você deixa ir na esperança de voltar e se perde;
É quando você sente algo e descobre que não é recíproco;
Frustração é quando você espera um abraço e não ganha nem um sorriso;
É quando você acorda e percebe que não tem aqueles minutinhos a mais;
É quando você comemora o gol e percebe depois que estava impedido;
Frustração é esperar demais, e em vão;
É quando você não tem nem a oportunidade de se despedir;
É perder outras oportunidades;
Frustração é saber que você nunca mais poderá ouvir a voz, ver o rosto;
É quando o maldito celular não toca;
É quando você se esforça pra gritar e só ouvem sussurros;
Se frustrar é saber que você poderia, mas não foi;
É pegar tudo que você construiu e transformar apenas em vontade, sonho.
Frustração é...
Bom, deixa pra lá...