sábado, 20 de julho de 2013

Caixa do nada


Talvez vocês tenham sido mais rápidos que eu
Nós desistimos uns dos outros tão facilmente
Essas feridas bobas nunca vão melhorar
Sinto que estou tão longe de onde eu estava
Então eu vou, e não voltarei mais aqui
Vou embora enquanto o dia desbota nas casas brancas
Eu minto, coloco meus machucados na poeira...
(Vanessa Carlton – White Houses)

Antigamente era mais fácil olhar pra essa folha em branco e o teclado do notebook, parecia que as palavras escorregavam entre os dedos, como se já estivessem esperando em uma fila oculta da minha alma em uma corrente contínua pra fora. Era tudo mais claro, eu não tinha medo do impacto das palavras, nem dos seus significados, muito menos da mensagem transpassada no final de tudo.
Por várias e várias vezes eu me pego pensando em textos e mais textos quando estou sozinha ou ouvindo alguma música, em qualquer momento parece que as frases aparecem diante dos meus olhos, posso até arriscar dizer que sonho com elas, mas estão presas, nada é como antes. Não sei se a dor é mais intensa, se o medo é mais sombrio, se me tornei covarde, só sei que realmente eu sinto que mudei. Estou menos sonolenta, me canso muito rápido, não sinto mais vontade de chorar mesmo debulhando em dor, estou com uns estranhos novos amigos, fico acordada até tarde, estou muito magra, parece que fiquei vazia e muda apenas observando tudo que acontece.
Sem reações.
Sem expectativas.
Sem palpites.
Não sei qual foi a parte do caminho que parei de andar, agora estou sentada no chão apenas observando as pessoas, os carros, o lugar, a vida. Tudo o que me pergunto é onde isso tudo vai dar. Depois de tanta instrospecção quero confessar algumas coisas...
Passei a fazer coisas que jamais admitiria, menti, escondi, tive segredos que só eu sei, admiti a infelicidade sem motivo, não reconheço mais quem está do meu lado, pisei no meu adorado orgulho e, por vezes, me mostrei uma vergonha... Enfim são tantas coisas, tantos anos.
Foi tanta desordem que penso ter entrado na “caixa do nada” e agora estou escondida lá fazendo nada. Apesar disso sinto os murros que a minha alma dá às vezes dentro de mim, como se faltasse só um pedacinho pra que eu pule de dentro da caixa e retome o caminho que parei, limpe a poeira do tempo da roupa e continue andando e direção a um único objetivo... a paz da felicidade.
Esse texto ainda não diz tudo que pensei, mas ressalta uma palavra importante.
Mudanças.

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